O jornalista Jeisael Marx concedeu entrevista ao Jornal Pequeno, publicada na edição deste domingo, 20

O jornalista falou sobre seu plano de governo que é baseado em descentralização e enxugamento da máquina.

Este blog publica agora a íntegra de perguntas feitas pelo JP e as respostas dadas por jeisael.

O jornalista Jeisael Marx, candidato da Rede Sustentabilidade para prefeito de São Luís, fala ao Jornal Pequeno:

JP – Quais as propostas mais importantes que pretende apresentar nesta campanha?

Jeisael – Nosso plano de governo é baseado no tripé descentralização, participação popular e sustentabilidade. Nosso principal objetivo é otimizar o gasto do dinheiro público, fazer mais com menos, com uma estrutura de gestão eficiente e eficaz com a finalidade de cuidar melhor do cidadão e cidadã. O município não consegue mais arrastar uma estrutura administrativa arcaica, centralizadora, num modelo que só ainda existe em nossa capital, São Luís. Uma estrutura inchada, loteada entre partidos, e que não dá respostas aos problemas em tempo adequado.

Vamos diminuir de 33 para 19 secretarias, criar um Procon Municipal, 5 Unidades Descentralizadas de Gestão (subprefeituras);

vamos criar um Centro Administrativo Municipal, para desalugar prédios particulares onde funcionam órgãos da prefeitura;

eliminar despesas com contratos de segurança e limpeza desses prédios; diminuir despesas com veículos, priorizando, onde possível, contratos com táxis e transporte por aplicativo para prestar serviços aos órgãos da prefeitura.

Usar mão de obra da própria comunidade através do Mutirão Nosso Bairro para realizar obras e serviços nas comunidades (recuperação de ruas e praças, por exemplo) através de editais com instituições da sociedade civil, gerando emprego e renda nos bairros;

Implantar sistemas de energia fotovoltaicos nas escolas, gerando economia nas contas de energia e produzindo consumo limpo e sustentável;

Fazer parceiras público privadas para, a curto prazo, dar respostas à falta de vagas em creches, desafogar o sistema de saúde (consultas e exames etc), dar treinamento para professores entre outros;

Ouvir as prioridades das comunidades para executar obras e serviços através do orçamento participativo, com a participação, de fato, dos cidadãos na gestão municipal.

Eficiência e eficácia representam mais dinheiro nos cofres públicos, o que representa mais ações e políticas públicas onde mais precisa.

JP – E qual sua impressão sobre as pesquisas divulgadas até agora?

Jeisael – Nossa caminhada não é movida por pesquisas. Nossa missão independe delas. No entanto, espontaneamente, segundo a maioria dos levantamentos, o que se observa é que aproximadamente 60% do eleitorado (ou mais) ainda não se decidiu, ou sequer está interessado no assunto eleição. Nós vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, mostrando que a única forma de romper com esse modelo de administração arcaico existente na cidade é através de um nome fora da atual cultura política. São Luís precisa superar esse ciclo de cerca de 20 anos de dominação do mesmo grupo na Capital. E quando o eleitor entender essa necessidade, tenho certeza que esses mais de 60% que não estão interessados ou ainda não se decidiram, irão mudar completamente o cenário das pesquisas. Quando esse eleitorado entender que este ano nós temos uma opção fora desse ciclo pernicioso, o resultado pode ser surpreendente.

JP – Acredita que há de fato um favoritismo em torno do nome de Eduardo Braide?

Jeisael – O que eu acredito é que nosso nome é o melhor para São Luís diante de um cenário de filhotismo que perpetua na política os “filhos do poder”. São sempre os mesmos grupos e famílias que passam mandatos de mão em mão, para filhos, netos, esposas, sobrinhos, apadrinhados. Como se a política fosse reservada apenas para o pessoal da elite, a cada eleição nós vemos os júniores, filhos e netos, ou sobrenomes tradicionais disputando a eleição. Eles se juntam entre si, agregam forças financeiras e de grupos tradicionais em seu entorno para enganar o povo. Posam de novidade na política, mesmo estando nela e se servindo dela a tanto tempo, e se juntando com velhas raposas para, em diversos casos, afanar os cofres públicos. Eles sempre acham um meio de dissimular sua verdadeira face. Como agora, por exemplo, onde, para contrapesar, vários deles estão usando como vices em suas chapas pessoas de origem pobre, da periferia. Eles são malandros. Para eles, é mais importante “parecer ser” do que ser de verdade. São dissimulados, parasitas da política, malandros, com sorrisos falsos e perfis fabricados para enganar as pessoas. Lutamos contra isso.

JP – No seu modo de ver, há um cenário indicando um provável segundo turno?

Jeisael – No meu modo de ver, os eleitores deveriam criar um cenário de segundo turno com a oportunidade de poder escolher um bom candidato. Porque, infelizmente, nas últimas eleições nós temos ficado sempre com a escolha entre o “ruim” e o “menos ruim”. Nosso nome está posto fora desse binarismo, e esperamos que as pessoas entendam que este ano temos uma boa opção. Lamentavelmente, neste momento o eleitor já se depara com as mesmas peças no tabuleiro. E eu faço um convite à refletir: queremos eleger as mesmas pessoas de sempre? Me coloco à disposição, pra depois não dizer que não tínhamos opção. Não estou comprometido com forças políticas tradicionais, nem me juntei à velhas raposas da política. Estou dizendo: estou aqui, pra fazer diferente.

JP – Qual sua análise sobre a administração do prefeito Edivaldo, nestes dois mandatos à frente da Prefeitura de São Luís?

Jeisael – A atual administração conseguiu avançar em áreas importantes, como na questão dos resíduos; tem boa atuação também na área de Assistência Social. Mas peca miseravelmente em outras áreas importantes como Educação, Saúde, Infraestrutura. Lamentavelmente, o atual prefeito não conseguiu ser um gestor mais do que regular. Nós queremos dar andamento naquilo que é bom, corrigir o que não funciona direito, focar em colocar o básico para funcionar, e avançar a partir daí para uma gestão moderna e eficiente.

JP – Que influência podem ter nestas eleições em São Luís figuras como Lula, Sarney, Bolsonaro, Flávio Dino e o prefeito Edivaldo?

Jeisael – Apostar em agregar à candidatura a prefeito esses nomes de forma massiva é mais uma tática velha da política praticada por quem se diz “novo”. Na incapacidade de conseguir agregar simpatia e adesão do eleitor ao seu próprio nome, abusam dos nomes de figuras que gozam de popularidade. Acontece que não será Lula o prefeito, nem Bolsonaro, nem Sarney, nem Flavio Dino. É legítimo e natural que figuras ligadas aos partidos ou grupos de qualquer candidato possam declarar apoio e aparecer ao lado de seus apoiados. Malandragem é usar isso de forma massiva, apenas como estratégia para angariar votos, baseado em instrução de marqueteiro, apostando na ingenuidade do eleitor. As pessoas precisam compreender que a maior influência é o cidadão, que acaba sendo menosprezado. A gente ouve falar em “candidato do Lula” de um lado, do outro “o candidato do Bolsonaro”, ou o “candidato de Flávio Dino”, de fulano de beltrano… O título que eu quero nessa disputa é de “candidato do povo”, do povo de São Luis.

JP – Qual sua opinião sobre o apoio do MDB ao deputado Neto Evangelista (DEM) e sobre estas demais alianças para as próximas eleições na capital?

Jeisael – Cada um escolhe a forma que deseja caminhar. Os acordos e alianças são algo inerente à política. Eu não criminalizo a política, pois é ela o caminho para buscar soluções para os problemas da sociedade. O ruim é a forma como alguns escolhem fazer a política. Minha principal crítica é que esses acordos e alianças têm outros interesses, que não são os interesses do povo. Esses que estão sendo feitos agora, não pensam em São Luís. Não pensam sequer no Palácio La Ravardiére, mas pensam no palácio ao lado, o dos Leões. As forças políticas se montando agora deveriam pensar na cidade, não em seus próprios interesses. O cidadão precisa compreender que a semente da corrupção está sendo plantada agora. É preciso questionar como e quem está bancando estruturas milionárias para a realização de atos políticos gigantescos. É preciso questionar porque líderes de partidos políticos correm pra um lado e pra outro – sem nenhuma coerência ideológica – antes de fechar acordos, como se estivessem fazendo leilão. Inimigos de ontem, de braços dados hoje. Quem caminha na política dessa forma e vence a eleição assim, está fadado a fatiar a administração municipal desde já para atender a interesses daqueles que financiam e apoiam esse modo de caminhar. Quem vai pagar a conta?

JP – Na sua avaliação, há um racha no grupo Sarney para as próximas eleições em São Luís?

Jeisael – Esse é o tipo de assunto que não cabe a mim, enquanto candidato, comentar no momento. Nossa preocupação é em falar com as pessoas aquilo que nós podemos fazer pela cidade. Trazer experiências pra tornar a cidade um lugar mais humano. Implantar ideias que já foram testadas e aprovadas em outros lugares do Brasil e do mundo, como hortas comunitárias, mutirão nos bairros, coleta seletiva residencial, educação ambiental nas escolas, mais guardas municipais. Queremos escolas e creches comunitárias atendidas com recursos no menor tempo e com menos burocracia, ônibus novos na Zona Rural, saneamento básico etc. Muita coisa já poderia ter sido feita, mas a cultura política impediu. Uma candidatura independente consegue pensar num projeto que seja possível. Eu acredito num jeito diferente de caminhar na política.

JP – Que reflexos estas eleições em São Luís poderão ter na sucessão do governador Flávio Dino, em 2022?

Jeisael – Infelizmente, vários candidatos estão disputando a eleição de São Luis como trampolim para as eleições de 2022, cada um com seu pretenso candidato a governador ao lado. São vendilhões da coisa pública, e farão qualquer coisa para alcançar seus objetivos, vendem suas almas ao diabo, o que interessa é o poder.
Eu estou interessado em alcançar o cidadão que está enfrentando problemas reais, agora. E eles estão interessados, certamente, em me anular na disputa, me neutralizar, por ser o único, ao lado do povo, capaz de por um freio em suas pretensões. Nossa preocupação está em 2020, vencer a eleição para, a partir de 2021, dar o primeiro passo de uma gestão desvencilhada desses interesses personalistas de quem só se preocupa com sua própria barriga e não com os problemas da cidade, de fato.

JP – Como pretende levar avante sua campanha nestes tempos de pandemia do coronavírus?

Jeisael – Nosso tempo de televisão praticamente inexiste, não dá nem pra falar um frase inteira. Não pretendemos repetir o desrespeito de outros candidatos com a vida das pessoas, que realizaram inúmeras reuniões sem nenhuma preocupação com a pandemia de coronavírus. Vamos para a rua, caminhar em grupos pequenos, respeitando ao máximo o distanciamento, conversar com as pessoas, e usar a internet. O caminho é árduo e espinhoso, mas estamos dispostos a lutar, lado a lado, eu, minha vice Janicelma Fernandes, e o povo de São Luís.

Sobre Vinicius Praseres

Vinicius Praseres é jornalista formado em 2015 pela Faculdade Estácio São Luís. Estagiou no jornal O Estado do Maranhão, depois foi convidado para a produção do programa Chegaí e programa Sucesso (TV Cidade, afiliada da Record). Foi repórter e apresentador do programa São Luís Agora (TV São Luís, afiliada a Rede TV). Locutor publicitário , já prestou serviços para a Jovem Pan, Rádio Nova FM, 92 FM e Rádio Líder. Foi repórter da Famem (Federação dos Municípios do Estado do Maranhão). Hoje é editor do Portal Imprensa 360.

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